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segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Prato Principal

Certo homem deu uma grande ceia e convidou a muitos.

À hora da ceia, enviou seu servo para dizer aos convidados:

- Vinde, porque tudo já está preparado.

Mas todos, um a um, começaram a se desculpar.

O primeiro disse: - Comprei um campo e preciso ir vê-lo. Peço-lhe que me dês por escusado.

Outro disse: - Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las. Peço-te que me dês por escusado.

E outro disse: - Casei-me há pouco, por isso não posso ir.

Voltando, o servo relatou tudo ao seu senhor. Então o dono da casa, indignado, disse ao seu servo: - Vai depressa pelas praças e ruas da tua cidade e traz-me aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.

Disse-lhe o servo: - Senhor, o que ordenaste já foi feito, e ainda há lugar.

E disse o senhor ao servo: - Vai pelos caminhos e ao longo dos cercados e obriga-os a entrar, para que a minha casa fique cheia. Pois eu te digo que nenhum daqueles que foram convidados provará da minha ceia.

Lucas, 14:16-24

Bem, caro leitor, não é difícil identificar Deus como o anfitrião desta história.

A ceia representa a comunhão com os valores espirituais.

O convite divino manifesta-se de duas formas:

Objetivamente: Envolve a tradição familiar, a crença do berço.

Subjetivamente: Exprime-se nas dúvidas existenciais, na inquietação inexprimível, no indefinível anseio do sagrado.

Poucos são receptivos.

Jesus reporta-se a três escusas:

O que comprou um campo e vai vê-lo.

Está envolvido com o cotidiano, num somatório de atividades, interesses e prazeres. Impedimentos se sucedem - a novela, o cinema, o futebol, a visita, o passeio, o contratempo, o compromisso inadiável...

Não tem tempo!

O que comprou uma junta de bois.

Enrosca-se na atividade profissional, o ganha-pão, o dinheiro do mundo. O expediente que se prolonga, o compromisso marcado, a convocação inesperada...

Não tenho tempo!

O que acaba de se casar.

Prende-se às solicitações familiares. Não encontra espaços vazios na agenda. Há sempre alguém a atender...

Não tem tempo!

Parecem ignorar o óbvio:

Tempo é uma questão de preferência.

Sempre encontramos espaço no cotidiano para fazer o que desejamos.

Vendo que seus apelos são inúteis, o Senhor decide convidar os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.

Lembra um pensamento corrente nas lides espíritas:

Aproximamo-nos do Espiritismo por convite do amor ou por convocação da dor.

Amor ao conhecimento: a vontade de aprender, desdobrar horizontes, equacionar a existência...

Há, também, o amor romântico. No jogo da sedução vale tudo, até a adesão à crença do ser amado. Isso antes do casamento. Depois, é outra história.

A maioria vem pela dor.

Têm problemas, estão doentes, perturbados, desajustados, infelizes, deprimidos... São representados pelos estropiados da parábola.

Talvez você, leitor amigo, tenha procurado o Espiritismo pelo amor.

Parabéns!

Saiba que é uma exceção.

Lembro minha própria experiência.

Embora filho de família espírita, até os vinte anos estive totalmente alheio. Foi a partir de grave lesão num olho que me aproximei.

Como toda mãe espírita diante de um filho com problema de saúde, minha genitora logo pediu, em reunião mediúnica, o apoio de um mentor espiritual. Ele se propôs a ajudar.

Fiquei animado, até saber a condição imposta:

Era preciso que eu comparecesse às reuniões públicas do Centro, que eram diárias.

- Todos os dias?!

- Sim.

- Poxa, mamãe! Nenhuma folga, nem mesmo no domingo?!

- Meu filho, a dor e a necessidade não escolhem dias. Sempre há gente precisando de socorro.

Achei absurda a exigência. Não obstante, a enfermidade é extremamente persuasiva, principalmente quando envolve um dos dons mais preciosos – a visão.

Cumpri minha parte. O guia cumpriu a dele. Sarei.

Melhor que a cura - tomei gosto pelo Espiritismo.

Hoje participo por amor, com ajudazinha da dor, de vez em quando, que é para a gente não se distrair.

Segundo a parábola, os convidados desinteressados não provarão a ceia.

Acrescentaríamos que isso ocorrerá até que estejam também estropiados, o que, certamente, modificará suas disposições.

No banquete da espiritualidade, oferecido no Centro Espírita, temos as entradas.

É o alimento leve e imediato: o atendimento fraterno, o passe magnético, o tratamento espiritual, o receituário mediúnico, as vibrações dirigidas...

Curioso que muitos ficam apenas nesse antepasto. Melhoram, experimentam algum bem-estar; o problema de saúde parece superado, mente pacificada...

E logo procuram a saída!

Deixam o melhor, o prato principal, representado pelo conhecimento espírita. É esse que realmente nos alimenta e fortalece, ajudando-nos a viver de forma mais tranquila e feliz.

Se estivermos dispostos a experimentar, devemos saber que esse maná dos céus precisa ser bem mastigado para ser digerido.

Isso envolve o legítimo desejo de aprender, marcado pela leitura, o estudo, a assiduidade às reuniões, superando a mera intenção de receber benefícios.

No Japão há curioso costume.

As pessoas compram, em restaurantes e supermercados, determinados alimentos, acondicionados em pequenas caixas, o que lhes permite tomar sua refeição na rua, na praça, no local de trabalho, no metrô...

Algo semelhante pode ser feito com o banquete da espiritualidade. Acondicionar o prato principal em prática embalagem – o livro espírita!

A qualquer momento, em qualquer lugar, podemos “mangiare”, como diz o italiano, finas iguarias que saciam nossa fome de espiritualidade, proporcionando-nos momentos de leitura edificante.

Ao ouvir sobre a importância de ter o livro espírita ao alcance das mãos, uma senhora comentou:

- Infelizmente, não tenho o hábito da leitura.

Bem, sabemos que hábito é uma tendência adquirida com a repetição de determinadas ações.

Há alguns extremamente prejudiciais:

Fofocar.

Impressionante o prazer mórbido que as pessoas sentem em comentar aspectos negativos do comportamento alheio. Autoafirmação às avessas. Ao invés de se realizarem pelo que são, pretendem fazê-lo depreciando os outros.

Esbravejar.

Há quem resolve tudo no grito. Ergue a voz, impondo medo, sem conquistar respeito ou estima. Quando detém cargos de mando, sai de perto!

Xingar.

Há pessoas que escovam os dentes, sem escovar a conversa. Principalmente quando, irritadas, pronunciam obscenidades, a se expandirem em vibrações virulentas que conturbam qualquer ambiente.

Mentir.

Parece segunda natureza. Está tão incorporado ao comportamento humano, que o profeta Isaías proclama taxativo: todo o ser humano é mentiroso.

Melhor cultivar bons hábitos.

Um deles, gratificante: ler livros espíritas!

Inicialmente, alguns minutos diários, se há dificuldade.

Aos poucos iremos ampliando a capacidade de nos fixarmos na leitura, substituindo as horas vazias, desperdiçadas, jogadas fora, por uma excursão no deslumbrante universo espírita.

Tenhamos ao alcance das mãos as abençoadas caixas com o alimento principal, capaz de saciar nossa fome de paz e conforto, a qualquer momento, em qualquer lugar!

Livro: Histórias Que Trazem Felicidade - Richard Simonetti.
Fonte da imagem: Internet Google.

2 comentários:

  1. Carlos, curti, digo, amei teu post: instrutivo, informativo; um convite aos leigos em espiritismo para deixar a preguiça de lado e começar a cultivar hábitos enriquecedores.
    Um abraço. Tenhas uma linda semana.

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